Uma rosa na janela


ESPELHO

 

Reflete o que resta de mim, respiração lenta ou o incessante reflexo da bondade.

O que ficou alimenta a maldade, o sangue.

Os olhos rápidos atormentam e os monstros fantasiam. Coração pulsa forte, descompassado.

Uma luz intensa comunga com a  obra inacabada.

O vento frio sopra infinito, a escuridão da noite me guarda. Velas acesas dentro das latas, um pequeno sopro . Sinos tocam e anunciam a chegada. As folhas úmidas no chão à espera do sol. Os santos voltam à terra.

 Abre lentamente os olhos, com as mãos busca um pequeno espelho mas não se reconhece mais. Ele se levanta com dificuldade, o corpo ainda está dolorido. Olha ao redor e pede proteção. Os olhos ainda brilham, mas descobre que não fez parte do sonho. Pior do que o frio da noite é a escuridão das pessoas.

 Quando a alma congela, fita o olhar ao horizonte , recolhe as tralhas e as esconde num cantinho do jardim.

Os passarinhos já cantam, o lixeiro varre as ruas, a dona de casa lava a calçada, a porta da padaria já está aberta, carros, biciletas, pessoas a circular. O homem olha uma criança de mãos dadas tentando acompanhar os passos rápidos da mãe, o garotinho olha para ele e os dois trocam um sorriso com os olhos, um sopro de esperança faz aquele dia tão diferente dos outros.

Junta a sacolinha com latinhas e continua a caminhar ..



Escrito por Miriam Goes às 09h40
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